Na primeira edição do ELTP queríamos compreender melhor o perfil ideal e tornar a filtragem mais eficiente”, diz Access Bank Angola, que afirma estar “mais preparado” para o programa de integração de jovens talentos, já com mais de 745 candidaturas

18 mai 2026
Na primeira edição do ELTP queríamos compreender melhor o perfil ideal e tornar a filtragem mais eficiente”, diz Access Bank Angola, que afirma estar “mais preparado” para o programa de integração de jovens talentos, já com mais de 745 candidaturas

O Access Bank Angola prepara-se para ampliar a dimensão da segunda edição do “Entry Level Training Programme” (ELTP), programa internacional de formação intensiva de jovens talentos do Grupo Access, numa altura em que a instituição financeira assume uma estratégia mais agressiva na construção de futuros quadros de liderança para a banca angolana.

A revelação foi feita em exclusivo à Revista Carreira por Iracelma Luísa dos Santos Nunda de Andrade, Directora de Capital Humano do Access Bank Angola, que confirmou que a edição ELTP 2026 já ultrapassou as 745 candidaturas, número que representa um crescimento significativo face à primeira edição realizada no país.

Integrado na proposta estratégica do Grupo Access desde 2003, o ELTP já formou mais de 7.500 participantes em várias geografias africanas e é actualmente encarado pela instituição como uma das principais “escolas internas” de formação de futuros líderes bancários. O modelo combina formação académica intensiva, avaliações técnicas sucessivas, experiência internacional e integração directa nas estruturas operacionais do banco.

Segundo Iracelma de Andrade, Angola entrou no programa pela primeira vez na edição anterior, num processo que o banco tratou inicialmente com prudência, sobretudo devido ao elevado nível de exigência técnica imposto pela Banking School of Excellence, na Nigéria.

“Na primeira edição queríamos perceber qual seria o comportamento dos candidatos angolanos perante um programa altamente competitivo e extremamente exigente. O processo de filtragem não foi simples. Nós queríamos mesmo os melhores dos melhores”, afirmou.

A responsável explicou que o programa não funciona como um estágio convencional. Os candidatos seleccionados são submetidos a meses consecutivos de avaliações técnicas ligadas à banca, finanças, economia, risco, experiência do cliente e cultura organizacional do grupo, num ambiente considerado de alta pressão académica e operacional.

“O programa é muito bem estruturado. As métricas de avaliação são definidas pela Nigéria. Existem exames consecutivos, avaliações técnicas permanentes e um acompanhamento rigoroso da performance dos participantes”, detalhou.

O ELTP contempla três meses de formação em ambiente real de trabalho na sede do Access Bank, em Lagos, seguidos de mais três meses de formação intensiva na School of Banking Excellence, estrutura interna do grupo dedicada ao desenvolvimento de quadros.

Apesar de Angola ter integrado apenas quatro participantes na primeira edição, Iracelma de Andrade considera que o resultado foi estratégico e bem-sucedido, sobretudo porque os quatro candidatos concluíram o processo com aproveitamento total e acabaram absorvidos pelo banco.

“Foi um sucesso para nós. Pode parecer um número pequeno, mas era algo pioneiro no nosso país. Queríamos medir a capacidade dos candidatos angolanos perante o grau de exigência do programa e os quatro passaram com sucesso”, sublinhou.

Os participantes angolanos actualmente exercem funções nas direcções de Tecnologias da Informação e Operações do Access Bank Angola, após regressarem da Nigéria.

Questionada pela Revista Carreira sobre o reduzido número de participantes angolanos face a outras subsidiárias africanas do grupo, Iracelma admitiu que Angola ficou abaixo de alguns mercados regionais, mas explicou que a decisão esteve relacionada com capacidade financeira, prudência estratégica e gestão de risco do próprio banco local.

“O número de participantes depende também da capacidade financeira da subsidiária, porque todos os custos associados ao programa são suportados localmente. Não é apenas decidir enviar vinte pessoas. Existe todo um investimento financeiro e técnico por detrás”, explicou.

Ainda assim, garantiu que o banco pretende aumentar o número de candidatos enviados na edição de 2026, beneficiando da experiência acumulada durante o primeiro ciclo.

“Agora estamos mais preparados. Conseguimos compreender melhor o perfil ideal, melhorar a divulgação e tornar a filtragem inicial mais eficiente. O sinal que temos até ao momento é bastante positivo”, afirmou.

Um dos aspectos mais enfatizados pela directora de Capital Humano prende-se com o perfil humano e comportamental procurado pelo Access Bank, para além da componente técnica e académica.

“Nós queremos pessoas com vontade, disposição e aquilo que chamamos internamente de fome do Access Bank. Mais do que competências técnicas, queremos sentir que a pessoa realmente quer crescer e desenvolver-se dentro da instituição”, disse.

Entre os requisitos considerados fundamentais estão formação superior concluída, domínio da língua inglesa, disponibilidade internacional e elevada capacidade de adaptação a ambientes de pressão.

Segundo explicou, os participantes seleccionados entram no banco em posições de base, mas passam a integrar programas internos de desenvolvimento de liderança, estando sujeitos a planos de carreira, formações contínuas, participação em comités técnicos e processos internos de progressão profissional.

“São líderes em desenvolvimento. Entram como técnicos juniores, mas o objectivo do programa é prepará-los para ocuparem futuramente posições de chefia e liderança”, afirmou.

Iracelma de Andrade revelou ainda que o Access Bank já possui antigos participantes do ELTP em posições de gestão dentro do grupo, reforçando a visão estratégica do programa enquanto mecanismo de sucessão interna e retenção de talento.

Paralelamente ao ELTP, o banco mantém programas de estágio profissional e curricular em parceria com instituições como ISPTEC e Universidade Lusíada, além de processos de recrutamento abertos ao mercado.

Confrontada com a possibilidade de o banco estar a limitar o acesso de candidatos provenientes de determinadas instituições ou estratos académicos, a responsável rejeitou a ideia de elitização no recrutamento.

“O Access Bank prima pela excelência, não pelo favoritismo institucional. Se tivermos um excelente candidato de uma universidade sem protocolo e um bom candidato de uma instituição parceira, vamos seleccionar o excelente candidato”, esclareceu.

A entrevista abordou igualmente a nova estratégia de saúde mental implementada pelo banco, iniciativa que surgiu após a instituição detectar níveis elevados de pressão interna e crescimento da taxa de absentismo entre colaboradores.

“Nós exigimos muito dos nossos colaboradores e percebemos, através do feedback interno, que precisávamos responder também às preocupações deles”, afirmou.

Segundo dados avançados pela directora de Capital Humano, o Access Bank Angola chegou a registar níveis de absentismo próximos dos 15%, cenário que levou a Comissão Executiva a aprovar mecanismos internos de apoio psicológico, programas de team building, ginástica laboral e ferramentas permanentes de recolha de feedback dos trabalhadores.

“Hoje conseguimos reduzir significativamente essa taxa para cerca de 7,5%. Mais do que controlar números, interessa-nos perceber o bem-estar dos colaboradores e a qualidade do ambiente de trabalho”, explicou.

Iracelma de Andrade reconheceu que a banca angolana continua a operar sob elevados níveis de pressão operacional e competitividade, realidade que exige das instituições financeiras uma abordagem mais estruturada em matéria de retenção, motivação e saúde organizacional.

No encerramento da conversa com a Revista Carreira, a responsável reforçou que o ELTP representa actualmente uma das principais apostas estratégicas do Access Bank na formação de capital humano jovem para o futuro da banca africana.

“Tendo em conta a dimensão internacional do programa e os mais de 7.500 participantes desde 2003, o retorno estratégico para o Access Bank traduz-se na formação de líderes mais qualificados, preparados e alinhados com a visão global do banco”, afirmou Iracelma de Andrade, em declarações exclusivas à Revista Carreira.

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